O documento indica que, no começo do terceiro milênio, a Igreja não pode permanecer impassível diante do fenômeno da violência contra as mulheres e que é "hora de condená-la com determinação", usando os meios legislativos apropriados.
"Em nome do respeito da pessoa, temos que denunciar a cultura hedonista e comercial que promove a exploração sistemática da sexualidade, induzindo meninas a cair nos ambientes de corrupção e fazer uso mercenário de seu corpo", afirma o texto.
Para a Igreja, a prostituição é uma forma de escravidão, na qual também podem cair meninos e homens. A vítima é um ser humano que em muitos casos pede ajuda "a gritos para ser libertado da escravidão, já que não vende seu corpo por vontade".
O documento afirma que o cliente "também é escravo", um sujeito "que procura as prostitutas para dominá-las, mais que para ter uma satisfação sexual". Para o Vaticano, nas relações sociais o cliente "experimenta uma perda de poder e de masculinidade".
A Santa Sé entende que o cliente deve ser ajudado a resolver seus problemas, mas que é necessária uma medida "eficaz" para uma mudança cultural. Esta pode "associar o Código penal à condenação social".
A Igreja defende um plano de educação que torne a sociedade consciente do tráfico de seres humanos e da prostituição.
O Vaticano pede que não sejam feitos julgamentos prévios das mulheres que exercem a prostituição e defende que se dê ajuda a elas para que possam deixar esta atividade, como fornecer casa, um ambiente familiar e uma comunidade em que sejam aceitas, amadas e onde possam começar uma nova vida.
Os "clientes potenciais" devem ser educados para que respeitem e dignifiquem a mulher. O documento ressalta que a Igreja pode oferecer às vítimas da prostituição assistência médica e legal, educação, reabilitação e proteção.
Sobre os meninos de rua, o arcebispo Marchetto afirmou que eles constituem um dos desafios mais árduos e preocupantes deste século.
O documento ressalta que o número de crianças que vivem nas ruas chega a 100 milhões, uma "verdadeira emergência social".
Para o Vaticano, as causas deste fenômeno são a crescente desagregação das famílias, as situações de tensão entre os pais, os comportamentos agressivos, violentos e às vezes perversos para com os filhos, a emigração - que traz a perda das raízes -, a pobreza e miséria, a difusão das drogas e o alcoolismo, a prostituição e a indústria do sexo.
Marchetto afirmou que a Igreja deve ir ao encontro dos meninos de rua, "e buscá-los nos lugares onde se reúnem, nas ruas, praças, nas boates e nas áreas mais perigosas das grandes cidades".
O arcebispo defendeu a criação de centros alternativos de reunião dos jovens, o uso da imprensa para divulgar o Evangelho e a formação profissional.
Sobre os sem-teto, o documento expressa sua preocupação com o aumento do número de pessoas que vivem e dormem nas ruas ou sob as pontes, que são "um dos muitos rostos da pobreza do mundo contemporâneo".
O texto ressalta que muitos deles são pessoas com aposentadorias insuficientes, outras foram desalojadas de suas casas, outras estão ali devido a conflitos familiares. O Vaticano considera que viver nas ruas "quase nunca é uma escolha".
Marchetto exigiu que os sem-teto sejam respeitados e expressou a necessidade de criar centros de amparo onde estejam protegidos do frio e da fome e sejam asseguradas as mínimas garantias.